sábado, dezembro 02, 2017

Feira da Ladra de Lisboa





Sabe, eu hoje vendi muita coisinha na Feira da Ladra e agora já me vou embora, ainda levo estes sacos todos e o carrinho... Vou apanhar o 12, depois o 36 e depois ainda apanho a carreira para Santa Iria de Azóia. Vendi muitos sininhos de Natal, 6 a 50 cêntimos. Vendi-os todos.
Quanto é que se paga para montar a venda na Feira? Sei lá! Eu nunca paguei nada! A minha mãe é que pagava, mas naquele tempo era mais barato e vendia-se mais...
A que está ao pé de mim, se não vende, estraga tudo e deita fora tudo. Leve para casa, digo eu, eu é que sei, diz ela, não levo, que dá muito trabalho carregar isto tudo. Dê a um pobre, digo eu, isto é para vender, não é para dar, diz ela. A roupa que não vende, corta-a aos bocados com uma tesoura.
Copos de casamento, copos bons, canecas, hoje não vendeu nada, pegou num martelo e partiu tudo em bocados pequenos. Eu até tive medo que me acertasse com um vidro aqui. Ou aqui! Mas ela parte tudo. E corta a roupa com uma tesoura. Não dá nada a ninguém. Diz que é pra vender, não é para dar.

Foto: reclame da Caixa Multibanco, à venda. 

terça-feira, novembro 28, 2017

O Gigante Enterrado, ou de como o amor vive ou morre pela memória



Este livro, O Gigante Enterrado, de Kazua Ishiguro, último Nobel da literatura, é um agradável surpresa.
Tendo já lido um livro deste autor, constata-se que escreve em estilos diferentes.

Neste caso, a obra está arquitetada de maneira invulgar, toda num diálogo quase poético entre dois velhos que se amam, vivendo numa terra que perdeu a memória, por efeito de uma personagem mítica, o Gigante Enterrado, que é necessário matar para que todos recuperem a  memória.

Os dois velhos que muito se amam sonham recordar os momentos muito se felizes que passaram juntos, mas, sem memória, pouco se distinguem de dois desconhecidos que tivessem começado a amar-se agora.

Mas talvez a memória lhes pudesse trazer a recordação de conflitos insuperáveis, para não falar de lhes dizer o que aconteceu ao filho de ambos, que procuram, tencionando passar o resto dos seus dias com ele, mas realmente sem saberem se está vivo ou morto, já que não se lembram...

Um livro sobre a memória, sobre a culpa, sobre como o amor vive ou morre de memórias...

Mas sobretudo um livro diferente do mainstream. Enfim, não muito...

domingo, novembro 26, 2017

Manifestação Pelo fim da violência contra as mulheres. Lisboa 2017







Lisboa 2017
Manifestação contra a violência doméstica. Violência contra as mulheres.
Atrás seguiam polícias fardados, participando na manifestação. 

quinta-feira, novembro 23, 2017

Chuva!!! Chuva!!! Chuva!!!


Chove! Grande novidade aqui em Lisboa, hoje, pois não tem chovido. E que agradável que é esta humidade na pele! Como quando se vagueia pelo alto-mar.

No início da minha "carreira" de professora, mudei do Porto para Portimão, porque me apeteceu espairecer e porque tinha de mudar. Podia ter ficado no Norte, mas...

Um dia, estava eu a dar aulas numa turma muito bem comportada, no Liceu António Aleixo, quando, de repente os alunos se levantaram todos ao mesmo tempo, a gritar e a olhar pela janela.

Foi um dos momento da vida em que senti maior perplexidade, pois, olhando pela janela, eu não vi nada, mas eles pareciam ver algo de muito extraordinário!

Sim, ida do Porto, ver chuva, para mim, era o mesmo que não ver nada.

Para os meus alunos algarvios, era algo que não acontecia há meses ou anos.

Não me lembro se consegui aguentá-los dentro da sala até ao fim da aula, pois talvez a aula estivesse no fim. Sei que foram todos lá para fora, apanhar a chuva no pêlo. Felizes!

Viva a Chuva!!!

Autora: Nadinha

segunda-feira, novembro 20, 2017

Vale tudo e mesmo tirar olhos, para termos muitos olhos novos. E grana, claro...



E neste novo e interessante hotel do Porto, Torel Avantgarde, até podemos pisar a bandeira nacional, ou mesmo, não podemos evitar de fazer tal coisa.

Coisa pouca para muitos, jubilosa para uns quantos, atitude de lesa-pátria para outros… nunca muitos...

Boa estratégia de marketing.

Perguntamo-nos por que razão ouvimos falar tanto deste hotel?

Vale tudo, incluindo tirar olhos.
Para fazer transplantes e para termos muitos olhos novos, ou seja, por uma boa razão.


O hotel parece ser interessante, embora eu não me identifique com alguns dos pintores, teria pesadelos nesses quartos... e teria pesadelos com os truques que o marketing utiliza para "tirar olhos".


domingo, novembro 19, 2017

Tudo isto existe / Tudo isto é triste / Tudo isto é fado!

Acaba de ser publicado um livro que ensina a "domesticar" as empregadas domésticas.
Com Trump e seguidores, nada espanta já!
O livro intitula-se Domesticália.

VER AQUI:


Enfim:

Tudo isto existe / Tudo isto é triste / Tudo isto é fado!

Professores considerados hiper atletas até à sua aposentação



A idade da reforma dos trabalhadores da função pública subiu de 60 para 66 anos num governo de Sócrates. Não se tratou de aumentar dois ou três nos, tratou-se de aumentar 6 anos e muitos meses a todas as carreiras da função pública.

Quem o fez, está hoje a ser julgado por vários crimes. Mas as atitudes políticas que tomou parecem ser julgadas como se o seu autor estivesse acima de qualquer dúvida legal!

Vejamos o caso do professores.

Professores do ensino secundário que hoje têm 62 anos aguardam ainda 4 anos e 8 meses pela reforma, embora os seus colegas da mesma idade do ensino primário já estejam reformados há vários anos. Porque não estudaram tanto tempo, porque a várias legislações se confundiram, etc.

Mas vejamos outro aspeto da questão: se a maioria dos atuais professores se vai reformar entre os 66 e os 70 anos, é importante verificar o que será exigido a estas pessoas mais velhas (ainda hoje há professores que se reforma aos 70, seja por amor à camisola, seja porque iriam ter uma reforma de miséria se se aposentassem antes disso).

Não esquecer que a legislação discrimina os professores em termos de doença, tema para outros assuntos.

O que se exige a um professor que hoje tenha 66 anos é que fique 3, 4 ou 5 horas sem poder ir à casa de banho, pois isto é perfeitamente consensual e nem gera discussão: no exame de Geometria Descritiva, por exemplo, deverá ficar 4 hora as a vigiar o exame, mais meia hora antes e meia hora depois. Ou quando tem dois testes seguidos de 90 minutos, 180 mais 10 ou 20 ou mesmo 30 minutos, dos intervalos.

Exige-se a um professor com mais de 60 anos o que dificilmente se exigiria um atleta, pois os atletas têm especiais condições para tratar do aspeto físico e os professores não têm nada disso.

Todos os dias esse professor deverá falar tão alto e esforçar tanto a garganta como uma diva de ópera. Mas durante mais tempo: 4 ou 5 horas por dia. Como os alunos cada vez são mais barulhentos, já que as turma têm cada vez mais alunos, o esforço é cada vez maior. Deverá, igualmente, falar com entusiasmo e convicção, embora, segundo muitas opiniões, não deva "mostrar os dentes aos alunos" [vulgo sorrir], porque é perigoso. 


Para além de tudo o mais, o professor deverá apresentar uma extraordinária memória, grande capacidade de atenção, que deverá demonstrar mesmo em condições de "guerra", como quando é insultado com palavrões, situação hoje muito comum. Deverá igualmente demonstra um tranquilidade, uma calma e uma paciência de Job, qualidades (ou talvez defeitos) que não se adquirem e antes se perdem com a idade.

E o que é que acontece a quem falta por ter ficado sem voz, ou sem memória, ou sem paciência? Se ficar assim por três dias, ficará três dia sem salário, se continuar assim, ganhará cerca de 40 % do salário durante o resto do mês.


Sócrates e a sua apaniguada Maria de Lurdes, a "Sinistra Ministra" poderão ser invocados como argumento de autoridade para que se possa massacrar os professores mais velhos?

Alternativa: diminuir a idade da reforma dos professores. Ou mesmo de todos os trabalhadores...




quinta-feira, novembro 16, 2017

Mistérios... de gente "importante"










Bem, vinha eu de uma consulta médica de rotina ali por Belém e vejo, frente ao Mosteiro dos Jerónimos, um aparato de cavalos e cavaleiros, carros funerários, caixas que poderiam ser caixões ou apenas caixas, turistas deliciados, como se vê na foto, por exemplo, chineses feitos fotógrafos do exotismo português.

O que é que se passa, pergunto à menina brasileira que vende limonadas, que me serve uma limonada com xarope de menta e gelo e mais não sei o quê e que diz me conhece de me ver na esplanada de Campo de Ourique onde trabalhou (será que Lisboa é uma aldeia?)

Cavalos e cavaleiros. Uns dizem que é o funeral de alguém importante. Quem morreu que seja "importante"? Julgo que ninguém.

Os caixotes mais me parecem de transportar obras de arte do que propriamente caixões... mas os caixões para cremação são uns caixotinhos muito básicos, sem enfeites, sem verniz...

Estrangeiros de várias línguas coincidem em dizer-me que houve uma missa muito importante porque tinha morrido alguém importante?
- Ai sim? Pergunto aos portugueses presentes em volta da menina das limonadas quem morreu que fosse importante.

Importantes são todos os que morreram, sempre para alguém... mas este ou estes, com honra de Jerónimos e de cavalos brancos e castanhos?

Creio que vamos ficar sem saber...

O meu Ipad novo em folha pifou de vez, vão dar-me mais um novo, está na garantia. Não pude tirar fotos boas deste evento, ou melhor, deste não acontecimento. Pois, aparentemente, não aconteceu nada.

A missa foi dita em português para os muitos estrangeiros que pululavam por ali e que só me souberam dizer que devia ser o funeral de alguém muito importante.

Restam duas hipóteses: exumação quase secreta de alguém muito importante? Transporte de obras de arte?


Será que exumaram algum cadáver para verificar o ADN? 

Talvez  D. Sebastião?

Outra hipótese: trata-se de dois ou três eventos em simultâneo, para delícia dos nossos visitantes estrangeiros...