quarta-feira, outubro 11, 2017

Madona e Lisboa

Não sou fã da Madona, mas gosto que a Madona goste de nós. 

Receita: chocos guisados com cenoura e ervilhas


Almocei hoje e alambazei-me com uma receita que me deram. Pela expressão facial de quem ma deu, ao dar-ma, vi logo que era bom. Um ar que fica entre o prazer e a dor. 
Faz-se um refogado normal, depois põe se por cima um choco grande, cenouras aos cubos e ervilhas. Tapa-se e fica assim. Depois vai-se acrescentando água, mas uns 15 minutos, no total, é quanto demora a guisar.
Muito, muito bom. 

sábado, outubro 07, 2017

Redescobrir ou só descobrir A Farsa de Raul Brandão

Numa biblioteca  que agora tenho acesso, com muitos livros antigos, descubra primeira edição de A Farsa de Raul Brandão.

Nunca tinha lido este livro, que é grandioso, no modo como traduz a mesquinhez da alma humana.

A personagem principal, a Candidinha vive da caridade, não como pedinte mas como alguém de certo estatuto a quem as pessoas da sua condição pequeno burguesa dão o essencial, troco da sua humilhação.

Todo o livro é sobre o ódio e a inveja, numa personagem que só tem semelhante na criada Juliana de o Primo Basílio de Eça de Queirós.


Esmiuçar a maldade dos pobres e humilhados deve ser, no mínimo, cansativo para o autor (autores) e é, no mínimo, revoltante para quem lê.

Será talvez por isso que esta obra não é conhecida, rejeitada, talvez após o 25 de abril.

Muitíssimo bem escrita e analisando os meandros do desejo, da frustração, mas também do sonho.

Por contraste, aparece também uma personagem muito pobre e muito materna, com uma grande bondade. Uma criada de servir, a Joana.





quinta-feira, outubro 05, 2017

Exposição de arte moderna, de Sónia Falcone, dialogando com espaço antigo do Palácio da Ajuda






Com grande surpresa, encontramos uma exposição de arte moderna, da italiana  Sônia Falcone, com instalações que não só valorizam como iluminam as salas régias do palácio da Ajuda.
Na verdade, mesmo não gostando de estar num palácio real, por alergia à monarquia e mais ainda à monarquia nos seus últimos tempos, somos atraídos por imagens modernas, algumas de vídeo, que acrescentam movimento, sentido e significado aos velhos locais, já muito expurgados do seu simbolismo desadequado e arcaico.

É o caso do jardim de Inverno, em que umas belas mas obsoletas gaiolas de pássaros, feitas a pensar, não nos pássaros mas em quem os vê, são "iluminadas" por uma projeção de borboletas.
Estas borboletas são, no texto, associadas com a alma.

Mais irónica e não menos surpreendente é a instalação que a autora já fez em vários locais do mundo, com as especiarias e outros produtos em pó.
Sem qualquer legenda, que não é necessária, começamos a sentir o cheiro ainda antes de entrarmos na grande sala. Algumas pessoas começam a perguntar: não te cheira a caril? Mas esta pergunta só revela a ignorância olfativa dos europeus, que chama caril a tudo o que for estranho.
Esta instalação chama-nos a tenção para  diversidade do mundo, no seu magnífico colorido, acrescentando realidade concreta e cheiro À arte propriamente dita.
Essa diversidade colorida e bela já detinha evidenciado numa anterior instalação com bastões de vidro colorido pelas técnicas do vidro de Murano.

A não perder. Poucas vezes uma autora contemporânea nos interpela desta forma, criando-noto prazer de contemplar a arte e mostrando-nos que arte não é só o que nós imaginamos.
também pode ser, por exemplo, um diálogo. Teatral.

Exposição Campos de Vida " Fields of Life".

sexta-feira, setembro 29, 2017

India, um ocidente a ocidente?: Ministério da Felicidade Suprema






Estou a ler, agora que já tenho tempo para ler, o livro O Ministério da Felicidade Suprema, da autora indiana Arundhati Roy.
É o segundo livro que leio desta autora, o primeiro foi O deus das pequenas coisas.
De certa forma, é a segunda desilusão que tenho com os romances desta autora, eu que tanto gosto da Índia, que até já lá fui e tenciono voltar. 
Porquê desilusão? Porque para mim, como para muita gente, a Índia será o lugar da diferença, um sítio muito alternativo, ou, como diria Fernando Pessoa, "Um oriente a oriente do oriente"

Mas esta Índia, longe de ser oriental no sentido místico e misteriosa, é, bem ao contrário, um ocidente  no oriente, ou seja, é uma Índia poluída pela economia do ocidente, estragada, arruinada, para além de ter os seus próprios defeitos, que já tinha.

Já li outros livros de outros autores indianos sobre  este país, mas todos se queixam do mesmo: não é a Índia autêntica, é a Índia mais estragada pela América do que foi pelos ingleses.
É, de certa forma, uma Índia descabida e ridícula. 

A personagem principal, uma meretriz hermafrodita, construiu a sua habitação num cemitério, os cemitérios indianos são muçulmanos, pois os hindus são cremados. Com o tempo, foi alargando habitação até fazer uma casa de hóspedes e mais tarde também uma espécie de agência funerária.

Esta meretriz hermafrodita é, para a autora, o próprio símbolo da Índia.

Agradeço a Arundhati Roy esta visão do mundo, em que o oriente não passa de uma fraca excrescência do ocidente.

E nem falemos dos direitos das mulheres, ou dos direitos seja de quem for...

Este país tem também os seus próprios males, as terríveis lutas religiosas, os intocáveis, que normalmente não saem da terra, por falta de capacidade económica, mas, se emigrarem, continuam ser intocáveis para os outros indianos, enfim, mundos que existem também nas nossas cidades e que ignoramos.

Mas o que salva tudo é o amor. Sempre, em todo o lado e também nos romances da autora. Neste caso o amor maternal, pois a personagem hermafrodita, mulher por opção, mas com um estatuto especial na cultura indiana, sente que foi destinada para ser mãe.

Apesar de tudo o que foi dito acima, não podemos esquecer que estes são os autores que ganham prémios ingleses. Isto, claro, vale o que vale. 





domingo, setembro 24, 2017

Relatório sobre Tancos, inventado pelo expresso a tempo das eleições

Então o jornal Expresso agora inventa relatórios sobre Tancos que não existem, para influenciar as eleições? Isto é que é jornalismo, para um jornal tão caro?


Quem são estes idiotas, incluindo a autora destas linhas, que ainda compram jornais, quando seria mais sensato e equitativo investir em revistas do coração. 
Ou ver televisão, ou algo assim.


Ou deixar de gastar dinheiro com jornais, revistas, livros...

Que parolagem, como dizia o meu avô!!!

Referendo da Catalunha

E também já se percebeu isto: a opinião pública portuguesa está contra o referendo da Catalunha pela independência, porque os jornalistas portugueses fazem campanha contra ela.
Porquê? Fácil:
Porque os partidos que defendem o referendo são do centro esquerda.
É a mesma guerra que fizeram contra a Geringonça, o Cyriza, etc. E o Cyriza caiu mesmo.
Só venceu a Geringonça, embora com este nome depreciativo, que só lhe fica bem.


É a guerra do poder dos media de direita contra a oposição. De esquerda, claro.

Não sei se vocês sabem que, em 1640, Portugal conseguiu libertar-se dos Filipes, graças à Catalunha, que também reivindicava a independência, já nessa altura. Os Filipes tiveram de optar, ou conservavam Portugal ou conservavam a Catalunha e optaram, desviando para lá o grosso das tropas.

Vocês não sabiam disso, pois não?
E porque será que não sabiam?????
Quem preza liberdade, nunca tem dúvidas.

quinta-feira, setembro 21, 2017

"Pai Filho Espirito Santo, foge bicho pr'àquele canto!".


Uma amiga madeirense conta que, quando o cruzeiro gay chegou à Madeira, gerando grande agitação, muitas pessoas madeirenses ficaram chocadas, mas uma senhora reagiu assim, para citar mas palavras da minha amiga Valéria Mendez: 

"O mais cómico foi uma triste mulher que, ao ver as manifestações de carinho de dois dos viajantes, olhou para eles, benzeu-se três vezes e disse: "Pai Filho Espirito Santo, foge bicho pr'àquele canto!".



Curiosa oração! Será que resulta para ratos?



Aqui em Lisboa há muitos, uma praga de ratos, da qual não se fala, bem como uma praga de baratas, da qual muito menos se fala.


Era bom que os políticos agissem, ou prometessem qualquer coisa, mas não têm feito nada, que se saiba, a esse respeito. Até porque é impopular lutar contra animaizinhos.

Vou recomendar uma oração coletiva à Catarina Martins: 
"Pai Filho Espirito Santo, foge bicho pr'àquele canto!". 

E manifestação coletiva, claro.

Quanto ao Medina, se soubesse esta milagrosa oração, já teria resolvido o problema.
Há bués!

quarta-feira, setembro 13, 2017

"A beleza que não morre"? Talvez Zahra Khanom Tadj es-Saltaneh












O Facebook tem partilhado umas fotos antigas de uma mulher de aparência árabe que qualquer um de nós consideraria muito feia, em poses de grande vedeta, sendo claro que, tanto a fotografada como o fotógrafo a consideram uma beldade.

Creio que já vi estas f
otos atribuídas a outra mulher e parece mais provável eu se trate de alguma meretriz.

As fotos têm sido atribuídas a uma princesa da dinastia Qajair, precursora dos direitos das mulheres muçulmanas, pintora e escritora, a primeira a usar roupas ocidentais, Zahra Khanom Tadj es-Saltaneh. foi casada e divorciou-se, teve 4 filhos e foi a musa do poeta poeta Aref Qazvini, sendo ela também poetisa.

Talvez seja ela, talvez não, mas aqui fica a minha homenagem a essa princesa e o meu testemunho de como vai variando o conceito de beleza, no tempo e no espaço.