segunda-feira, agosto 07, 2017

Limpa-chaminés: tão queridos, tão fofinhos... Tão mimi

Existe, em Portugal uma lei, destinada a evitar incêndios ou a propagação de um incêndio: é obrigatório mandar limpar as chaminés todos os anos. 

Ninguém conhece essa lei e, quando se ouve falar em limpa-chaminés, toda a gente pensa logo no filme da Mary Poppys, ou então não pensa em nada e imagina uma criatura toda enfarruscada, cara incluída, por causa do carvão que dantes havia. 

um que contratei perguntou-me logo se quer apagar IVA ou não. Um IVA de 23 por cento, reservado aos artigos de luxo.

Quando, em Portugal acontece uma catástrofe, como um incêndio, ou outra, os portugueses já não consideram que foi obra do destino e uma fatalidade. Já compreenderam, claramente que alguém tem culpa e deve ser responsabilizado.

Mas não importa muito saber ao certo quem tem culpa, basta que seja um qualquer, por exemplo, um dos ministros ou o primeiro ministro em exercício, se se demitir ou for demitido tudo bem, senão toda a gente resmunga. Embora ninguém cumpra as leis, ninguém conheça as leis, esta e muitas outras.

Uma amiga que vive na Suíça diz que existe lá a mesma lei, mas ai de quem não a cumprir. É mais caro do que em Portugal e toda a gente tem de pagar o preço e o IVA.

Eses suíços são loucos!!!

terça-feira, agosto 01, 2017

Pouco católico?


Fui experimentar uma pedicura que me pareceu interessante, perto de casa. Brasileira. 
Fomos interrompidas por uma daquelas pessoas chatérrimas, que ela não pôde atender porque se sentia mal a essa hora. 
Ficou transtornada e fartou-se desdizer que estava cheia de medo.
- Tem medo de quê?
- Tenho medo que ela me faça uma bruxaria, um candomblê.
- Nós aqui não fazemos bruxarias! 
- Pois, eu já reparei que há muitos ateus, pensei que os portugueses eram todos muito católicos.

Muito ou pouco católicos, pelo menos este medo não temos. Já é menos um!

segunda-feira, julho 31, 2017

América? Qual América?


Antigamente as pessoas tendencialmente comunistas diziam horrores da América, enquanto se alambazavam de hambúrgueres com coca-cola e passavam a vida a ver filmes americanos.
Era um grande exagero, tudo o que diziam. Sem esquecer a contradição.
Agora já não é. A realidade americana atual é que é um exagero! 
Ultrapassa qualquer ficção antes inventada. 

Daqui por uns anos vamos fartar-nos de ver filmes sobre Trump, mesmo que a criatura não aqueça a cadeira, como parece provável. Quem fará o papel de Trump?

Entretanto, Noam Chomsky avisa que todos estes escândalos só servem para ocultar o que se vai passando nos bastidores. 

sexta-feira, julho 28, 2017

Conformismo versus rebentamento de pontes


Tenho uma característica diferente da maioria dos portugueses. Em vez de me conformar e aguentar tudo, ou de inversamente, tomar uma atitude drástica, como cortar relações ou ir à polícia, procuro sempre o diálogo, sabendo à partida que não pode ser muito pacífico e que comporta riscos. 

O resultado é muitas vezes um desastre, mas não é por isso que vou mudar de atitude. 
Conformismo, por um lado, rebentamento de pontes, por outro, não me parecem ser soluções para coisa nenhuma.

terça-feira, julho 25, 2017

Tradições...

Hoje no autocarro sentou-se ao meu lado uma cigana toda entrapada, vestida de preto, manga comprida e lenço, queixando-se muito de calor.
- Porque  é que a senhora, neste tempo, não anda de calções como eu? - Perguntei-lhe . 
- Eu, de calções?! Os meus filhos matavam-me. Ui, se as minhas filhas me viam de calções! Tenho de andar de luto pelo meu marido. Ui os meus filhos, se eu tirava o luto. Ai as minhas filhas! 
- Mas o luto é só por um ano. Já passaram seis...
- O luto é para toda a vida. Para toda a vida! Ai as minhas filhas! Havia de ser bonito, havia! 
Bem, espero que ela também esteja a contar esta conversa aos filhos e filhas trogloditas que tem.

segunda-feira, julho 17, 2017

Comunidade cigana: mitos e realidades



Tive há uns anos dois ciganitos como alunos, no Algarve, Portimão, a quem eu dava francês de iniciação. Um dia tiveram boa nota no teste ( na iniciação as notas são boas) e disseram: “Setôra, imagine, então, se nós até tivéssemos livro de Francês!”. Não tinham. 

Nessa turma também tinha dois quase cegos, que não queriam ajuda, mas também não viam o livro… Lembro-me dessa turma por isso e porque, um dia em que cheguei à sala um segundo antes de me marcaram falta e de os mandarem para o recreio brincar, ficaram todos muito aliviado e felizes por me verem. 

Só os pequenos são capazes de manifestar este tipo de alegria.
Estas e outras agradáveis recordações fazem-me ter esquecido momentos desagradáveis, que os há e muitos.


Vem isto a propósito do recente ataque ao ciganos... por razões populistas.

LER: